Com avaliações positivas que flutuam de 91% a 100% por parte dos alunos, o curso de Educação para Destinação Socioambiental de Resíduos Eletroeletrônicos promovido em junho pelo Instituto Gea – Ética e Meio Ambiente para cooperativas de catadores de Brasília trouxe também notícia promissora ao setor: Iliana Canoff, representante do CIISC (Comitê Interministerial para Inclusão Social e Econômica dos Catadores), esteve no encontro e anunciou a criação de um Grupo de Trabalho para discutir mudanças na Política Nacional de Desfazimento (Foto).
Essa iniciativa representa avanço significativo, já que abre uma possibilidade de acesso de cooperativas e associações de catadores às doações de resíduos eletrônicos descartados por instâncias públicas e autarquias. Trata-se de uma articulação de longa data do Gea, ao lado das redes de cooperativas. Carta aberta com a reivindicação foi entregue por Ana Maria Luz, presidente do Gea, ao coordenador do CISSC, Ary Moraes, na última reunião do órgão em 5 de maio.
A abertura institucional do curso na UnB, que ensinou técnicas de desmontagem e destinação correta dos equipamentos, contou também com falas de Ana Maria e de Tereza Cristina de Brito Carvalho, coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade da Poli-USP e parceira do projeto Projeto ReciclaON. Elas deram as boas-vindas aos alunos e destacaram a importância da formação e da atuação em rede. Também se apresentaram Íris Laura Macedo e Maria Caroline Marotta, representantes do Fundo Socioambiental Caixa, apoiadora financeira do ReciclaON.
A formação foi realizada nos dias 10, 11 e 12 de junho na Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB) e contou com participação de 10 catadores das associações Recicla Brasília, Recicle a Vida, Plasferro, Cooperdife e CRV.

100% dizem que formação ajuda cooperativas
Com aprovação crescente ao longo dos três dias — de 89% a 94% —, o curso teve destaque no encerramento: 100% dos participantes aprovaram as dinâmicas e afirmaram que o conteúdo contribuiu para suas cooperativas. Já 88% disseram ter aprendido a desmontar e separar corretamente os equipamentos eletroeletrônicos.
“Foi muito importante porque a gente se aprofundou nos procedimentos, de que eu tinha só noção. Parecíamos crianças no Jardim da Infância aprendendo a, e, i, o, u. Um ponto importante foi conhecer a desmontagem correta, para vender itens separados, que têm muito mais valor”, destacou Sheila Lima, da CRV.
Além de dinâmicas que visaram a integração dos participantes, houve apresentações sobre o contexto do projeto, o aumento da geração de lixo eletrônico, os riscos associados à sua má destinação e os principais tipos de equipamentos eletroeletrônicos. Um módulo específico abordou o uso e a função dos computadores, as peças externas e sua presença cotidiana em dispositivos como caixas eletrônicos e celulares. Também foi demonstrado o passo a passo da desmontagem de um computador, explicando o uso correto das ferramentas e medidas de segurança para reduzir os riscos dos contaminantes à saúde humana e ao meio ambiente.

