Do lixo ao lucro, Projeto ReciclaON é debatido na Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental

Em um país onde toneladas de resíduos ainda são descartadas de forma inadequada, uma iniciativa ousada vem mudando o jogo e gerando renda. No último Encontro Nacional da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), realizado em 27 de outubro, o Projeto ReciclaON foi protagonista de um debate que reuniu ambientalistas em torno de um tema urgente: a reciclagem limpa e a inclusão justa.

A convidada especial foi Ana Maria Domingues Luz (acima, à direita), presidente do Instituto Gea – Ética e Meio Ambiente, que há mais de duas décadas e meia atua na linha de frente da transformação ambiental e social. Com a pergunta provocadora “Por que os recicláveis estão chegando cada vez mais sujos às cooperativas?”, o webinar da ABES abriu espaço para reflexões sobre educação ambiental, responsabilidade coletiva e políticas públicas.

Ana Maria não poupou verdades: “Há falta de investimento em educação ambiental. A comunicação dos poderes públicos e da imprensa ainda é tímida diante da urgência do tema”, falou. Segundo ela, o problema vai além dos resíduos comuns. Os eletrônicos, por exemplo, representam um desafio ainda maior, pois contêm substâncias tóxicas, materiais que, quando descartados incorretamente, colocam em risco a saúde humana e o meio ambiente.

Material mais limpo

Foi justamente esse cenário que impulsionou o nascimento do ReciclaON, projeto realizado em parceria com o Laboratório de Sustentabilidade da USP (universidade de São Paulo) com apoio do Fundo Socioambiental da Caixa. A iniciativa busca alcançar cooperativas e catadores de todo o Brasil para lidar com os chamados REEE (resíduos de equipamentos eletroeletrônicos), criando uma rede capacitada a captar, desmontar e destinar corretamente os equipamentos. O resultado? Renda que pode variar de R$ 7 a R$ 23 por quilo de material desmontado, valor superior ao de recicláveis convencionais.

Mas o impacto vai além do bolso. “A desmontagem dos REEE permite entregar um material mais limpo ao mercado e exige um trabalho mais técnico, o que eleva o nível de especialização dos catadores”, explicou Ana Maria. O Gea também atua na esfera institucional, lutando por uma legislação mais clara e inclusiva, que permita às cooperativas acessarem o mercado de descarte de computadores dos poderes públicos, hoje restrito.

A ABES, que há 59 anos defende o saneamento e o meio ambiente no Brasil, reforçou o compromisso com a causa ao lançar uma campanha para elaboração de uma cartilha sobre reciclagem. A população pode enviar dúvidas sobre resíduos sólidos pelos canais digitais da entidade, um passo importante rumo à conscientização coletiva. O acesso é https://abes-dn.org.br/

Ana Maria, presidente do Gea (acima, à direita), foi convidada especial do webinar da ABES

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