Em várias Capitais do Brasil, um movimento lento, mas firme, vai tomando forma. Cooperativas que antes lidavam apenas com recicláveis comuns agora estão preparadas para receber, desmontar e dar destino correto aos resíduos eletroeletrônicos, os REEE. Essa mudança não surgiu do nada. Ganhou vida graças ao Projeto ReciclaON, que capacita, estrutura e fortalece quem está na linha de frente da reciclagem.
Neste início de 2026 serão mais sete instituições estruturadas. Estão programadas uma em Brasília, três em Curitiba e três em Manaus. Em 2025 já haviam sido sete, três das quais sediadas em São Paulo, duas no Rio de Janeiro e uma em Cuiabá.
O ReciclaON vai muito além de entregar ferramentas e bancadas. Ele orienta tecnicamente, garante EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), organiza fluxos e cria ambientes seguros para que cada cooperado trabalhe com proteção, ergonomia e eficiência. Assim, quando chegam às cooperativas computadores, notebooks ou pequenos eletroeletrônicos, tudo encontra lugar certo para ser desmontado com cuidado e responsabilidade.
“Quando estruturamos uma cooperativa com ferramentas e bancada, após realizar cursos e palestras, é porque os REEE precisam de espaço coberto e exclusivo. Primeiro, por questão de ergonomia, a fim de proporcionar conforto maior para a desmontagem, com local adequado e ferramentas à mão. Segundo, porque o desmonte dos materiais de forma segura impede que se destruam os componentes ou que seja liberado algum material tóxico. A bancada é importante para manter a integridade dos resíduos e do profissional”, conta Wanderley dos Anjos, técnico do ReciclaON no Instituto Gea-Ética e Meio Ambiente.


Fênix, no Rio, e Coopamare, em São Paulo, estão qualificadas para demontagem e comercialização de REEE
Mais valor agregado
O impacto é imediato. Mais saúde para os cooperados, mais valor agregado aos resíduos, menos risco ambiental e, claro, mais oportunidades de renda. “Quando falamos de eletroeletrônicos, as peças têm alto valor no mercado e podem ser comercializadas de forma muito mais vantajosa do que a simples venda do equipamento como sucata”, cita Wanderley.
A desmontagem correta evita acidentes, preserva componentes, impede a liberação de substâncias perigosas e transforma o que antes era risco em solução. Quando uma cooperativa consegue estabelecer um fluxo contínuo de doações de REEE, ela passa a operar em novo patamar: desmonta, separa, organiza e comercializa com inteligência, às vezes por preços bastante multiplicados.
No ReciclaON, tocado com apoio financeiro do Fundo Socioambiental da Caixa, capacitar é só o começo. Com estrutura adequada, conhecimento técnico e segurança, o futuro da mineração urbana eletroeletrônica se torna mais sustentável, mais rentável e mais humana.
Veja aqui onde descartar seu REEE. https://reciclaon.institutogea.org.br/onde-descartar-materiais-eletroeletronicos/

