Formação sobre desmontagem em Manaus leva conhecimento e experiência prática para cooperativas e catadores

Manaus também foi palco de curso que está transformando a vida de catadores e cooperativas de recicláveis: Educação para Destinação Socioambiental de Resíduos Eletroeletrônicos. O encontro reuniu 13 participantes na Universidade Federal do Amazonas, entre 13 e 15 de agosto último, em uma experiência rica em conhecimento, práticas e reflexões sobre o papel desses agentes ambientais na sociedade.

A jornada começou com a compreensão sobre a segurança para o homem e a natureza oferecida pelo manejo adequado dos REEE, além da valorização desse material no mercado. Participou da abertura a presidente do Instituto Gea-Ética e Meio Ambiente, Ana Maria Luz.

Os alunos tomaram conhecimento do que são equipamentos eletroeletrônicos e suas diferentes categorias — linha branca, azul, marrom e verde. Mais do que nomes, cada grupo traz desafios e riscos, já que, quando manuseados e descartados incorretamente, podem liberar substâncias perigosas à saúde humana e ao meio ambiente. O curso promove um despertar coletivo da consciência ambiental.

Manaus é a 8ª Capital a receber a formação sobre desmontagem de REEE inserida no Projeto ReciclaON, que está capacitando e qualificando cooperativas de todo o Brasil a trabalhar com esses resíduos de forma segura e rentável. As 27 unidades da Federação contarão com o projeto até 2027, uma iniciativa do Instituto Gea com apoio do Fundo Socioambiental Caixa.

Com participação das cooperativas Filhas de Guadalupe, Aliança e Turismo, Ascarman, Amar, Arpa e Acmarr, os alunos em Manaus mergulharam no universo de telas e computadores não apenas como máquinas, mas como símbolos de organização e cooperação. Em uma das dinâmicas pedagógicas, cada peça — placa-mãe, processador, memória RAM, fonte de energia e ventoinha, entre outros — simbolizou a importância do trabalho coletivo. A equipe Gea encerrou o 1º dia realizando uma demonstração prática: desmontagem de CPUs com uso correto de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), reforçando a importância de um processo seguro.

Riscos e responsabilidades

O aprendizado seguiu com um momento de troca, reflexão e alerta sobre os perigos ocultos nos resíduos, como o chumbo, capaz de comprometer cérebro, ossos e sangue. Além de CPUs, houve aula prática de desmontagem de teclados, mouses, impressoras e notebooks, ampliando as habilidades técnicas dos profissionais (foto).

Discutiu-se também o impacto ambiental do descarte inadequado: equipamentos expostos ao sol e à chuva contaminam o solo e os lençóis freáticos, ameaçando a saúde humana e dos animais. Como resposta, destacou-se a necessidade de armazenar os resíduos em locais cobertos e seguros.

No último dia, o foco foi econômico: os participantes analisaram os valores de peças comercializadas individualmente em comparação com o seu preço de venda como sucata. A diferença mostrou o quanto o conhecimento técnico agrega valor e dignidade ao trabalho. Os alunos reafirmaram sua identidade e importância: mais do que desmontar resíduos, eles atuam na proteção do planeta e na construção de um futuro sustentável.

Compartilhe seu post:

Confira mais matérias:

Fique por dentro das novidades do projeto.
Inscreva-se no nosso boletim eletrônico!