Um novo olhar floresce entre cooperativas brasileiras de recicláveis: o resíduo eletroeletrônico deixa de ser apenas sucata e passa a ser reconhecido como verdadeira unidade de valor. As oficinas de Gestão do Negócio do Projeto ReciclaON estão acendendo essa chama, provocando reflexões e mostrando que Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos (REEE) podem gerar negócios e abrir caminhos para o desenvolvimento das cooperativas.
“É natural que as cooperativas concentrem esforços nas embalagens pós-consumo. Mas o ReciclaON revela que os eletroeletrônicos não só agregam rentabilidade, como trazem desafios que exigem coragem empreendedora para avançar”, explica Fabio Cardoso (foto), consultor e professor do Projeto ReciclaON, que encabeça a atividade socioeducacional.
Estudos apontam que, quando segregados adequadamente, os itens que compõem um eletroeletrônico podem alcançar preços cerca de 15 vezes maiores do que o equipamento vendido como simples sucata metálica. Isso abre horizonte imenso para a conquista de novos rendimentos.
Mas o curso não se limita a números. Além de reposicionar os negócios de recicláveis, trazem à tona tema ainda pouco explorado e de enorme relevância. “Mesmo diante de legislações pouco favoráveis, o ReciclaON incentiva os catadores a debaterem em seus espaços, dialogarem com legisladores e a se prepararem para as exigências legais que moldam o setor”, comenta Fabio.

Segurança e mais potencial econômico
Segurança e sustentabilidade caminham juntas. As oficinas de Gestão reforçam que é possível desmontar equipamentos com responsabilidade, utilizando EPIs, separando cada componente e destinando-os corretamente. Esse cuidado protege o trabalhador, preserva o meio ambiente e, ao mesmo tempo, multiplica o valor do material. O objetivo é claro: adotar práticas inteligentes e seguras, promovendo desenvolvimento socioambiental, garantindo a proteção dos catadores e ampliando o potencial econômico das cooperativas.
Durante os encontros, os participantes mergulham em temas que vão dos aspectos legais às estratégias de venda. Há desafios reais no setor, como poucos compradores, legislação confusa, vendas pontuais e pressões diversas para que os catadores fiquem fora desse mercado. Mas o ReciclaON oferece caminhos: ensina a fazer precificação, realizar negociação coletiva e a buscar soluções criativas para escalar resultados.
O ReciclaON, tocado pelo Instituto Gea com apoio financeiro do Fundo Socioambiental da Caixa, não é apenas um curso. É um convite para enxergar o futuro da reciclagem com novos olhos, isto é, transformar o que antes era descartado em oportunidade, renda e impacto positivo.

